sexta-feira, julho 13, 2007

De mim um cantar negro

"Olho-te de revés e ignoro os esgares que fazes
quando tentas ignorar as palavras que te gritam aos ouvidos.
E digo,
- Ah! Como a loucura te cansa!
Tu sabes,
tu sabes como a loucura te cansa
como os teus cansaços
são ainda maiores que os meus
porque eles são feitos de muitas vidas
e todas elas
tu vives como se fossem tuas e únicas.
Quantas peles vestes dessa realidade inventada?
Quantas caras simulas?
Quantas vozes emitem som na tua garganta?
De tanto te desdobrares serás um dia um viajante
uma sombra perdida num limbo negro e pegajoso de onde jamais,
alguém te conseguirá tirar.
De onde jamais,
alguém te vai querer tirar!
E digo:
- Ah! Como a loucura te cansa!
Tu sabes,
como é penoso arrastar nos pés tantas histórias
tantas mortes e tantos restos de sangue.
São eles que não te deixam dormir?
É por eles que sonhas de olhos escancarados?
Sonhas ser o ilustre o pastor o rebelde o doutor
mais o amante e o vilão?
Sonhas para esqueceres aquilo que realmente és?
Esse ser que já nem pele tem para vestir
que só arrasta cansaços nos pés e nos braços
ser que embala mágoas escondidas nesse sítio
nesse buraco
onde um dia existiu um coração?

E um dia eu direi:
- Ah! como a loucura te cansou!"

Gabriela Moura

3 comentários:

Maria Clarinda disse...

Maravilha de poema!!!!
Adorei. Jhs

Klatuu o embuçado disse...

Belo poema e belo blog.
E bela banda: She Wants Revenge.

rui disse...

Olá Carla

Este poema é lindo!
É dificil ficarmos indiferentes à sua mensagem.

Também gostei muito da música, tem um ritmo que mexe connosco.
Fica bem.

Beijinhos