quinta-feira, julho 20, 2006

Amo-te

Porque não te quero mais
Porque sinto que tudo me doi
Porque já não sei fazer amor
Porque te quero
Porque sei que nunca mais serei eu
Porque me enfraqueces
Porque choro
Porque tudo o que já lá estava já não faz sentido
Porque tenho sempre de saber o amanhã

Esta ânsia de te amar
Maior e grandiosa como a luz
Acima de tudo o que já amei

Pelo desespero em que me encontro
Pela forma com que tu me envolves
Por nunca saber o que esperar de ti
Por não conseguir fechar a porta
Por não aceitar que nunca serás meu
Pela possessividade das palavras
Pelos rasgos de gritaria na minha cabeça
Pelo controlo constante que exijo de mim mesma
Pela consequência de errar

De trair

De me enganar

Por não respeitar a vida
Pela expectativa
Pelo desencontro
Pela distância
Pela raiva descontrolada
Por não te conhecer
Pela impotência
Por ter-te dentro de mim

Em mim

Assim

Pela eternidade deste meu grande amor
Meu grande amor!
Como é suposto eu te amar?

terça-feira, julho 11, 2006

Eu Pitanga

Sou Pitanga.
Sou Pitanga e sou da lua.
Vivo ao lado do Principezinho
E com ele alimento os sonhos
E a força para aprender a voar.
Sou a inocência corrompida
A mania do vento
O cheiro do mar
Parede em cal mas gasta.
Sou o socorro
O grito que se fecha
Aquela nada que ouve.
A que parte e a que regressa
A que regressa mas não volta.
A que se engasga
A que se envolve no embaraço
A desmedida.

quinta-feira, julho 06, 2006

Demora

E foram sonhos arrancados em desespero.
Sobras do nada e o resto do vazio,
Caos sintomático de um conflito que todos um dia esperamos viver.
E tu que serás tu,
Não teças a morte da demora.
E eu que sou eu em mim, em ti e em todos...
Quero muito,
Espero muito...
Porque eu sem eu não serei,
E sou eu que quero eu.