Sou balzaquina. Sinto-me mulher. Encontrei o amor. Um amor incontornável, daqueles que não podemos fugir. Ele sempre esteve lá, à minha espera, como uma força cósmica, que ultrapassa todo o meu entendimento e conhecimento do universo. Não sei se um amor arrependido. Sei com toda a certeza, um amor único, abençoado pela minha alma, e por cada célula do meu corpo. Está em mim como um ser independente e violento, que me arrasta para uma imensa solidão, para recantos repletos de memórias das quais não consigo me libertar. Sufoca-me verdadeiramente. Um amor de duas faces... No mesmo instante que me abandona, enche-me de luz. Foi como te disse... estás em mim.
Não sei como resolver este amor. Sempre fui uma mulher de paixões mas este amor é único e nem todos temos a oportunidade de o viver. Aquele amor que, apesar de todas as adversidades, sabemos que iremos vivê-lo até ao fim dos nossos dias. É esta a minha condenação. Não assinei nenhum acordo, não negociei vontades, nem vendi a minha alma ao Diabo. Entreguei-me num todo. Estou aqui no limbo da tua piedade e agora diz-me o que queres fazer. Não imponho nada. Simplesmente estou aqui e sou tua.
Imaginar esta entrega, compreendo que seja complicado... só se consegue vivê-la.
E esta certeza... tenho tanto medo desta certeza.
A questão do arrependimento creio que é inquestionável. Embora modesta o suficiente para reconhecê-lo, lamentarmo-nos de algo que vivemos no passado, não é mais do que um despejo da alma, mesmo que esse arrependimento esteja envolto numa questão de consciência. Na realidade, esta é uma questão menor desta minha vivência.
Creio que o verdadeiro problema foi nunca ter confessado, honestamente, para mim mesma o drama que estava a viver. Não é ter pena. É ter coragem para reconhecer que nem sempre estamos prontos para os desafios. É a consciencialização de que algo saiu do meu controlo e eu não soube lidar com o que estava a sentir.
Desilusão versus Desencanto
Desiludirmo-nos com alguém, é mais do que um desencanto. O desencanto é um feitiço que ao se quebrar, termina e a vida volta ao normal. Recolhemos o que de melhor recebemos e seguimos em frente com a força do presente e com a certeza de a nossa memória se encarregará do resto. Torna-se banal, sem fundo, sem história. Mas a desilusão, não. A desilusão acarreta mágoa, dor, choro, silêncio. Muito silêncio. É corrosiva, avassaladora... quebra-nos o espírito.
Teria eu dado lugar a ti na minha vida se tivesse o poder da adivinhação? Serei eu hoje uma pessoa melhor estando tu em mim?
Oiçam! Que aconteceu? Para onde é que eu fui? Sinto que estou fora de mim como que a olhar de cima, tal espírito fora de seu corpo, acompanhando todos os meus próprios passos. Mas sinto que não tenho poder sobre nada. Apenas observo impotente ao meu dia a dia. Tenho saudades de mim!
Acordo e a primeira memória és tu. Estás em todos os meus sonhos. Acordo com um nó na garganta. Choro. Levanto-me. Tomo banho. Só depois olho-me ao espelho. Culpabilizo-me por este amor violento e leviano. Tenho vergonha de me sentir assim. Mais um dia. Revejo a nossa história em segundos. Não tenho respostas, só as minhas e estas respostas são duras. De todas as dores da minha vida, esta é a maior de todas. Por cada memória tua, morro mais um pouco.
Amor versus Entusiasmo
Alguém poderá dizer-me qual a diferença? Amor é esta morte lenta, meu caro. É desafiar cada lufada de ar no teu peito. É perder o controlo de todas as tuas acções. É te perderes sem que saibas o caminho de regresso. É nunca mais te encontrares. É um desprover do teu Ego. É dar lugar a um novo eu. Entusiasmo... foi assim que carimbaste a nossa história. Quase que faz parecer que tudo a que tenho sido sujeita ao longo deste tempo é mero capricho. Uma puta de uma birra.
Não falemos de ti. De ti não há nada para dizer. Direi apenas que a crueldade tem sempre um preço. Eu paguei pela minha. Tu pagarás pela tua.
O abandono tem um preço. A indiferença tem um preço. A covardia tem um preço. O desdém tem um preço. O egoísmo tem um preço. A crueldade tem um preço.
Esta não é uma história de amor. Não tenho essa pretensão. É sim a história de alguém que amou e se desiludiu e de outro alguém que se entusiasmou e se desencantou. Tão simples, tão tremendamente vulgar.
E estas palavras são um cambalear na poeira.
Morrer por amor… Sim, já morri por amor. Todos os dias.
A ti, Mon Petit Prince, que a vida te cubra com todas as alegrias do mundo.
Come what may…
Foi belo.
